Review: Call of Juarez: Bound in Blood
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by: fernando.online
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Date: Mon, 16 Nov 2009 Time: 3:12 PM
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De volta ao velho-oeste...
Se você é um daqueles que gosta de filmes como “Era Uma Vez no Oeste”, “Quando Explode a Vingança”, “Django”, entre outros do estilo faroeste, reserve um pouco do seu dinheiro para este novo lançamento, Call of Juarez: Bound in Blood, continuação em forma de prequel do shooter lançado em 2006 pela Techland. Mas mesmo que você não seja muito chegado ao estilo acima, Bound in Blood é o tipo de jogo classe AAA que todo aquele que se diz “gamemaníaco” tem que conferir.
A história acontece no contexto da Guerra Civil Americana, onde diversas diferenças colocaram o povo do norte e do sul em meio a um violento e sangrento embate que praticamente varreu o “sul” do mapa - tema também do famoso filme “E o Vento Levou”. O jogador é apresentado à história de Ray e Thomas McCall, dois irmãos que de início parecem ser grandes heróis, mas, conforme o jogo se desenrola, vemos que ambos refletem a dúbia natureza humana, com atitudes bem questionáveis. Isso coloca o jogo num patamar de realismo muito bem-vindo, fazendo dos personagens, apesar de fictícios, ganhem aspectos bem realistas em nossa tela e na nossa imaginação, aproximando, assim, o drama deles de nós – o roteiro deste Call of Juarez é um dos grandes destaques do jogo.
E mais, temos aqui um daqueles raros games que acerta no desenvolvimento da trama de modo a ligá-la de forma intrínseca à jogabilidade. Há também diálogos inteligentes durante as cinemáticas e muita coisa no lado cômico durante a ação, o que faz desse game parecer muitas vezes um ótimo filme interativo.
Poeira, tiros e cenários de tirar o fôlego
Já faz um bom tempo que não víamos um jogo com gráficos tão otimizados quanto este. Para se ter uma ideia, jogamos com a resolução máxima em um monitor de 22” sem qualquer queda de desempenho, com todos os efeitos no máximo, tudo isso em uma máquina mediana para a atualidade e uma Radeon HD 3870. Sem dúvida, se todos os jogos fossem assim, seria a realização dos donos de PC.
Quanto à qualidade dos gráficos, temos aqui um jogo de primeira categoria. Texturas, iluminação, efeitos de explosão, sombras, detalhes da vegetação, com destaque para certos cenários extremamente foto-realistas, como no momento em que os irmãos tentam salvar uma moça de um bandido em uma árida cidadezinha. Talvez não possa ser equiparado a Crysis e Far Cry 2 na qualidade global, mas, por outro lado, é um jogo leve e muito bonito, sem fazer feio em nenhum momento.
O som e a música também estão perfeitos, mostrando uma grande e detalhada produção, e não poucas vezes dá a impressão que estamos assistindo a um filme. A dublagem dos personagens é feita com muita competência, os sons são realistas e as músicas trazem energia e emoção na dose exata vista na tela. Os temas são aqueles do gênero faroeste e há até um arranjo “mexicano” muito bem feito.
Ray ou Thomas?
Como no jogo anterior, você pode escolher com quais dos dois irmãos vai jogar no início de cada fase. Cada um deles, Ray ou Thomas, possui uma jogabilidade, equipamentos e talentos diferentes. Enquanto um é especialista em atirar de longe, o outro prefere a aproximação com os inimigos. Enquanto um carrega dinamite, o outro leva uma corda para laçar e subir a lugares inacessíveis. Há uma variedade grande de armas, das mais simples e fracas até muito poderosas e precisas.
Há também o “modo concentração”, um efeito derivado do filme "Matrix" (ou quem sabe do jogo Max Payne?), que o jogador acessa conforme faz tiros certeiros. Depois de entrar nesse modo, tudo fica em câmera lenta e é possível alvejar vários inimigos de uma vez. O interessante é que cada um dos personagens tem o efeito diferente do outro. Ray, por exemplo, exige que você arraste o mouse sobre os inimigos e depois de um limite de tempo ele atira em todos. Já o Thomas necessita que você segure o botão esquerdo do mouse e puxe para trás, como se manuseasse uma arma real, enquanto ele mira.
No mais, a batalha é sempre cooperativa, trazendo situações inusitadas e recriando os tiroteios dignos de cinema. Os inimigos estão razoáveis, apresentam boa variedade de ações, mas a Inteligência Artificial deixa a desejar em alguns momentos críticos de ingenuidade, onde, por exemplo, durante um tiroteio cerrado, os inimigos ao invés de procurarem abrigo, mostram a tendência de avançar contra o jogador a peito aberto - morrendo facilmente.
Os controles de início são um pouco confusos, especialmente na troca de personagens, em que algumas opções padrão não são muito intuitivas e confundem bastante – especialmente no modo câmera lenta.
Muita ação, muita linearidade e inovações
A jogabilidade de Bound in Blood lembra muito a série Call of Duty. Cada capítulo do jogo apresenta uma estrutura de missões bem programadas e lineares, quase que como um estrito roteiro de um filme, não permitindo ao jogador sair daquilo que já está previsto. Aqueles que gostam de jogos que dão realmente certa liberdade, como Crysis, podem se sentir um pouco incomodados.
A ação é praticamente ininterrupta – basta acabar uma missão que somos levados a outra com ainda mais adrenalina. O bom é que tudo é feito de maneira criativa, variada, usando de vários recursos como cavalos, carruagens e de outras situações, para não deixar o jogador enjoado. Isso também obriga o jogador a adotar diferentes estratégias para se proteger no cenário. Cada uma das fases incentiva a uma ação por parte do jogador, ou mais ofensiva, ou mais estratégica, procurando mais cobertura.
Há uma interessante novidade em relação à cobertura, inovando o gênero. Enquanto nos jogos em terceira pessoa estávamos acostumados a ver o personagem escondido enquanto a câmera fica exposta, mostrando também o inimigo, os desenvolvedores acharam uma interessante solução para transferir tal conceito aos jogos em primeira pessoa. Agora, quando o jogador chega perto de uma parede ou caixa, ou qualquer outro objeto onde seja possível usá-lo como cobertura, basta mexer o mouse para cima ou para baixo ou dos lados que automaticamente o herói muda seus movimentos procurando a melhor posição enquanto se protege. O sistema é bem interessante e adequado porque representa mais realisticamente os movimentos do corpo, fugindo da conhecida curvada de ladinho que os demais jogos do gênero preferem fazer.
No mesmo aspecto de inovação, existe também um mini-game que reproduz os duelos dos filmes, com a câmera posicionada ligeiramente atrás do personagem, focando em sua arma, onde você deve esperar tocar o sino para atirar. É como se o jogador estivesse agachado atrás do personagem, comandando a hora certa de colocar a mão na arma e atirar no momento preciso.
Campanha curta, mas multiplayer garante longevidade
CoJ: Bound in Blood sofre dos males dos jogos modernos: para alguns poderá ser curto demais. Com cerca de 6 ou 7 horas é possível finalizá-lo sem se ater muito aos detalhes. É verdade que isso pode ser uma questão secundária para muitos, mas para aqueles que colocam isso como fator importante – em especial na hora de avaliar a compra do game -, a boa notícia é que o valor de replay do jogo é consideravelmente alto.
Primeiro, pela possibilidade do jogador encarar novamente a campanha com outro personagem. Em seguida, pelo ótimo e variado multiplayer. Apesar de poderem jogar apenas 12 pessoas ao mesmo tempo (talvez uma limitação imposta pela adaptação aos consoles), há interessantes modos de jogo: Wanted em que aquele que ficar vivo até o fim vence; Manhunt – neste modo ou você caça ou ajuda a proteger alguém que está sendo caçado; Posse – trata-se do jogo em equipe contra equipe; Wild West Legend dá oportunidade de reviver famosos momentos da história, com roubos a bancos, etc.; e, por fim, Shotout é um mata-mata onde a grande sacada é um sistema de recompensa sobre sua cabeça que cresce na medida em que você mata mais pessoas, fazendo com que haja sempre uma caçada pelos melhores jogadores do momento. Quanto mais se mata, mais se ganha dinheiro, permitindo depois desbloquear outras classes.
Em suma, Call of Juarez: Bound in Blood é um jogo muito bem produzido, com ótimos gráficos e som, desempenho impressionante, jogabilidade com muita ação e variedade, apesar de ser um tanto linear e apresentar a IA um tanto ingênua. No entanto, como experiência de velho-oeste, não há por enquanto melhor jogo do que esse no mercado – um ótimo trabalho da Techland, que conseguiu um grande avanço com relação ao primeiro título, e por isso recomendamos a todos!
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Fernando Oneda, editor dos sites: Jogos de Carros, Jogos de Vestir e também Jogos Gratis
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